Dr. Roberto GimenaPsiquiatra em Botafogo(página inicial)

Questionário

Teste de camuflagem no autismo (CAT-Q)

Mostra quanto esforço vai para disfarçar traços autistas no convívio, de três modos: aprender regras para compensar, esconder o próprio jeito e fazer força para se encaixar. São 25 perguntas sobre copiar gestos, seguir roteiros de conversa, vigiar o rosto e sentir-se atuando.

25 afirmações5 min para responderNada é enviado

Por favor, leia cada afirmação abaixo e escolha a resposta que melhor descreve suas experiências durante as interações sociais.

1 de 25Quando estou interagindo com alguém, eu propositalmente copio sua linguagem corporal ou expressões faciais
2 de 25Eu monitoro minha linguagem corporal ou expressões faciais para parecer relaxado(a)
3 de 25Eu raramente sinto a necessidade de atuar (como teatro) para conseguir passar por uma situação social
4 de 25Eu desenvolvi um roteiro para seguir em situações sociais (por exemplo, uma lista de perguntas ou tópicos de conversa)
5 de 25Eu costumo repetir frases que ouvi de outras pessoas exatamente da mesma maneira que as ouvi pela primeira vez
6 de 25Eu ajusto minha linguagem corporal ou expressões faciais para parecer interessado pela pessoa com quem estou interagindo
7 de 25Em situações sociais, sinto que estou “atuando” / fingindo / performando em vez de ser eu mesmo
8 de 25Nas minhas interações sociais, eu uso comportamentos que aprendi observando outras pessoas interagindo
9 de 25Eu sempre penso sobre a impressão que eu causo nas outras pessoas
10 de 25Preciso do apoio de outras pessoas para socializar
11 de 25Eu pratico minhas expressões faciais e linguagem corporal para garantir que pareçam naturais
12 de 25Eu não sinto a necessidade de fazer contato visual com outras pessoas se eu não quiser
13 de 25Eu tenho que me forçar a interagir com as pessoas quando estou em situações sociais
14 de 25Eu já tentei melhorar a minha compreensão sobre habilidades sociais observando outras pessoas
15 de 25Eu monitoro minha linguagem corporal ou minhas expressões faciais para parecer interessado na pessoa com a qual estou interagindo
16 de 25Quando estou em situações sociais, eu tento encontrar maneiras de evitar interagir com os outros
17 de 25Eu já pesquisei as regras das interações sociais (por exemplo, estudando psicologia ou lendo livros sobre comportamento humano) para melhorar as minhas próprias habilidades sociais
18 de 25Estou sempre consciente da impressão que causo em outras pessoas
19 de 25Eu me sinto livre para ser eu mesmo quando estou com outras pessoas
20 de 25Eu aprendo como as pessoas usam seus corpos e rostos para interagir assistindo televisão ou filmes, ou lendo ficção
21 de 25Eu ajusto minha linguagem corporal ou expressões faciais para parecer relaxado
22 de 25Quando falo com outras pessoas, eu sinto que a conversa flui naturalmente
23 de 25Eu passei um tempo aprendendo habilidades sociais em programas de televisão e filmes e tento usá-las nas minhas interações
24 de 25Em interações sociais, não presto atenção ao que meu rosto ou corpo estão fazendo
25 de 25Em situações sociais, eu sinto que estou fingindo ser “normal”

Antes de usar

Para quem é este teste

  • Para quem é

    • Adultos, autistas ou com suspeita de autismo, que sentem que atuam, seguem roteiros ou vigiam o rosto e o corpo nas interações sociais.
    • Quem quer ver em números quanto esforço vai para compensar, mascarar e se encaixar no convívio.
    • Quem quer levar à consulta um retrato das estratégias que usa para esconder ou compensar o próprio jeito.
  • Quando não usar

    • Para avaliar se há autismo: pessoas não autistas também camuflam, e um número alto não indica autismo.
    • Crianças e adolescentes: os estudos do questionário foram feitos com adultos.
  • Limites do teste

    • Não há ponto de corte validado: o resultado são quatro números, sem uma faixa que diga se a camuflagem é alta.
    • O número diz quanto esforço há, não de onde ele vem: no estudo brasileiro o total foi mais alto em quem relatou ansiedade ou depressão.
    • A versão brasileira vem de um estudo ainda sem revisão por pares, e o resultado depende de como cada pessoa percebe o próprio comportamento.

Dúvidas sobre o CAT-Q

Perguntas frequentes sobre o CAT-Q

O CAT-Q diagnostica autismo?

Não. Ele mede a camuflagem, isto é, as estratégias para esconder ou compensar traços autistas nas interações sociais. Pessoas autistas e não autistas camuflam, e um número alto não indica autismo. O diagnóstico é feito por entrevista e história de vida.

Esta versão em português é validada?

É o texto da versão brasileira (CAT-Q-BR), de Tafla e colaboradores, reproduzido palavra por palavra. O estudo é um preprint de 2026, ainda sem revisão por pares, com 923 adultos autistas e 470 não autistas: a estrutura de três fatores se confirmou e a consistência interna foi boa. O formulário traz no cabeçalho a indicação de uso exclusivo para pesquisa, e isso está dito na licença.

Existe um número a partir do qual a camuflagem é alta?

Não há ponto de corte validado. Como referência, no estudo original adultos autistas tiveram média de 4,79 por afirmação e não autistas, de 3,48, numa escala de 1 a 7. Isso corresponde a cerca de 120 e 87 pontos no total, com muita sobreposição entre os grupos.

Qual a diferença entre compensação, mascaramento e assimilação?

Compensação são as estratégias para contornar dificuldades sociais: copiar gestos, preparar roteiros, estudar como as pessoas interagem. Mascaramento é esconder características autistas e apresentar uma imagem não autista, vigiando o rosto, o corpo e a impressão causada. Assimilação é o esforço para se encaixar em situações sociais desconfortáveis, com a sensação de atuar.

Devo fazer também um teste de autismo?

Os dois medem coisas diferentes. O RAADS-14 e o RAADS-R deste site rastreiam traços de autismo; o CAT-Q mede o esforço para escondê-los. Quem camufla muito pode ter um resultado baixo nos testes de traços, e por isso os dois se completam.

Minhas respostas são guardadas?

Não. O cálculo acontece no seu navegador e as respostas somem quando a página é fechada. Nenhuma resposta é enviada ao consultório.

Interpretação

O que o resultado significa

O CAT-Q mede o quanto uma pessoa esconde ou compensa traços autistas no convívio. Não mede autismo e não define um diagnóstico.

  • Três estratégias

    Compensação é aprender e ensaiar o que não vem de forma espontânea. Mascaramento é vigiar o rosto e o corpo. Assimilação é atuar para caber no grupo.

  • Números, não corte

    Não há ponto de corte validado. O total vai de 25 a 175 e cada estratégia tem o seu número; quanto mais alto, mais camuflagem.

  • Não é um teste de autismo

    Pessoas não autistas também camuflam, e no estudo brasileiro o total não acompanhou os traços autistas. O número diz quanto esforço há, não de onde ele vem.

  • Nada sai do seu aparelho

    As respostas ficam no seu navegador até você fechar a página. Compartilhar o resultado é uma escolha sua.

Resultados possíveis

O que cada resultado descreve

Todos os resultados do teste, para ler sem precisar responder.

  • As respostas mostram quanto esforço vai para compensar, mascarar e se encaixar nas interações sociais: quanto mais alto cada número, mais presente a estratégia.

    • Compensação: com número alto, conversas preparadas como um roteiro, gestos e frases copiados de pessoas e de filmes; com número baixo, a conversa acontece sem preparo nem ensaio.
    • Mascaramento: com número alto, vigilância constante do próprio rosto e corpo para parecer relaxado e interessado; com número baixo, pouca atenção à própria expressão e à impressão causada.
    • Assimilação: com número alto, a sensação de atuar em vez de ser quem é e de se forçar a interagir; com número baixo, liberdade para ser quem é e conversa que flui.
    • Custo: camuflar por muito tempo traz cansaço depois do convívio e aparece com frequência junto de ansiedade e depressão.
    • Quem camufla: pessoas autistas e não autistas usam essas estratégias, e um número alto, sozinho, não indica autismo.
    • Traços escondidos: a camuflagem intensa faz as dificuldades sociais aparecerem pouco para os outros, o que atrasa o reconhecimento do autismo, sobretudo em mulheres.

Pontuação

Como o resultado é calculado

  • Cada resposta vale de 1 (Discordo fortemente) a 7 (Concordo fortemente). Nas afirmações 3, 12, 19, 22 e 24 a pontuação é invertida: 7 vira 1, 6 vira 2, 5 vira 3, e assim por diante.
  • Total: some as 25 respostas, de 25 a 175. Quanto mais alto, mais camuflagem.
  • Compensação (9 a 63): afirmações 1, 4, 5, 8, 11, 14, 17, 20 e 23. Mascaramento (8 a 56): 2, 6, 9, 12, 15, 18, 21 e 24. Assimilação (8 a 56): 3, 7, 10, 13, 16, 19, 22 e 25.
  • O CAT-Q não tem ponto de corte validado. No estudo original, a média por afirmação foi de 4,79 entre adultos autistas e de 3,48 entre não autistas, o que corresponde a cerca de 120 e 87 pontos no total.

Discordo fortemente = 1 · Discordo = 2 · Discordo em partes = 3 · Não concordo nem discordo = 4 · Concordo parcialmente = 5 · Concordo = 6 · Concordo fortemente = 7

As respostas mostram quanto esforço vai para compensar, mascarar e se encaixar nas interações sociais: quanto mais alto cada número, mais presente a estratégia.

MÉDICO · CRM 111290-2/RJ · Psiquiatria — RQE 49305

Fontes

Em que se baseia este teste

  • Instrumento original

    Hull L, Mandy W, Lai MC, Baron-Cohen S, Allison C, Smith P, et al.. Development and validation of the Camouflaging Autistic Traits Questionnaire (CAT-Q). J Autism Dev Disord. 2019;49(3):819-33. doi.org/10.1007/s10803-018-3792-6

  • Validação brasileira

    Tafla TL, Laurence PG, Godoy PBG, Bruckner JP, Hull L, Mandy W, et al.. Psychometric properties of the Brazilian version of the Camouflaging Autistic Traits Questionnaire (preprint). PsyArXiv. 2026. doi.org/10.31234/osf.io/3bpc5_v2

    Não há ponto de corte, nem no original nem neste estudo. É um preprint, ainda sem revisão por pares, com 923 adultos autistas e 470 não autistas de vários estados do Brasil: a estrutura original de três fatores teve ajuste aceitável e a consistência interna do total foi boa (alfa de Cronbach de 0,88 entre os autistas). O total não se associou aos traços autistas medidos pelo AQ-10 e foi mais alto em quem relatou ansiedade ou depressão. A afirmação 18 teve carga fatorial muito baixa nos dois grupos.

O resultado preocupou?

Uma avaliação esclarece o que o teste só indica. Presencial em Botafogo ou online para todo o Brasil, das 13h às 21h.

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Dr. Roberto Gimena sentado no consultório, com um leve sorriso e um caderno aberto nas mãos
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