

Escrito e revisado em 04/08/25 por Roberto N P Gimena, médico psiquiatra.
Este artigo apresenta um resumo dos principais momentos-chave e discursos que compõem a constituição histórica do TDAH, destacando como diferentes partes da história e elementos sociais, médicos e morais influenciaram a compreensão do transtorno.
O Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH) é um tema que desperta debates em diversas áreas do conhecimento. A história do TDAH é formada por diferentes partes, influenciadas por discursos médico-científicos, sociais e morais, que moldaram sua constituição histórica ao longo do tempo. Ao longo dos anos, momentos-chave como as primeiras descrições clínicas e mudanças nos critérios diagnósticos contribuíram para a evolução do entendimento sobre o transtorno. Palavras-chave: TDAH, constituição histórica, discursos, momentos-chave, diagnóstico, história.
Heinrich Hoffmann e a História do TDAH: Como a Literatura Infantil Revelou a Atenção e Hiperatividade
Você sabia que a história do TDAH aparece pela primeira vez na literatura infantil? Heinrich Hoffmann, médico e escritor alemão do século XIX, criou em “Struwwelpeter” a personagem Rappel-Phillip, um garoto inquieto e hiperativo que não conseguia ficar parado. Essa história simples e direta já antecipava discussões sobre atenção hiperatividade TDAH, mostrando os desafios do déficit de atenção e hiperatividade muito antes de a medicina compreender e construir o diagnóstico como conhecemos hoje.
Origens Históricas do TDAH (Séculos XVIII e XIX)
As primeiras descrições históricas de comportamentos similares ao TDAH emergem na medicina europeia do final do Iluminismo. Artigos históricos em inglês já discutiam sintomas de déficit e hiperatividade, antecipando o conceito de ‘attention deficit hyperactivity disorder’ (ADHD) e a evolução do termo ‘deficit hyperactivity disorder adhd’ na literatura científica. Em 1775, o Dr. Melchior Adam Weikard, médico alemão, destacou casos de marcada desatenção, impulsividade e inquietação em sua obra “Der Philosophische Arzt”, descrevendo a doença e sugerindo sua relação com o sistema nervoso. Embora sua abordagem ainda fosse distante do conceito moderno, Weikard já reconhecia a existência de dificuldades persistentes em manter a atenção como uma condição médica legítima. A importância de artigos e adhd anotaciones históricas é fundamental para compreender a história do déficit de atenção hiperatividade e a evolução do diagnóstico, como evidenciado na history of attention deficit.

Vinte e três anos depois, em 1798, o médico escocês Alexander Crichton ofereceu uma descrição abrangente do que denominou “Inquietude Mental” em sua obra “An Inquiry into the Nature and Origin of Mental Derangement”. Crichton enfatizou sintomas de distração, hiperatividade e incapacidade de focar desde idade precoce, argumentando que essas características poderiam ter uma base constitucional – antecipando discussões posteriores sobre hereditariedade e neurobiologia. O conceito de dano cerebral também foi utilizado historicamente para explicar manifestações comportamentais, mesmo sem evidências claras de lesão física, reforçando a relação entre o sistema nervoso e o desenvolvimento do transtorno do déficit de atenção e hiperatividade (of attention deficit hyperactivity).
No campo cultural, Heinrich Hoffmann, psiquiatra alemão, criou em 1844 o famoso personagem “Phil, o inquieto” (Zappelphilipp) em uma história ilustrada amplamente disseminada. Esta obra é reconhecida como uma das primeiras exposições lúdicas de comportamentos hiperativos infantis, refletindo a crescente preocupação social com tais manifestações.
Contexto Vitoriano e Moralização da Infância
O ambiente vitoriano promoveu uma leitura moralizante desses comportamentos, frequentemente associados a teorias sobre deficiência moral e propensão criminal. As preocupações com a “infância perigosa” e a possibilidade de degeneração social dominavam o pensamento médico da época, estabelecendo uma base moral para compreender distúrbios comportamentais que persistiria por décadas.
George Still e a Fundação do Diagnóstico Moderno (1902)
O marco fundamental da gênese diagnóstica do TDAH é atribuído a George Frederic Still, médico britânico e pioneiro da pediatria. Em 1902, Still apresentou as Goulstonian Lectures no Royal College of Physicians, descrevendo sistematicamente um grupo de 43 crianças intelectualmente normais, mas com “grave incapacidade para atenção sustentada” e, sobretudo, com “defeito no controle moral inibitório”. O trabalho de Still representou um avanço significativo no discurso médico-científico sobre o diagnóstico do TDAH, ao integrar aspectos clínicos e sociais na compreensão do transtorno.

O foco de Still estava na incapacidade de autogerenciamento, impulsos agressivos, desobediência, instabilidade emocional e recusa em aprender com as consequências dos próprios atos. Embora seu discurso estivesse embebido em linguagem moral, como “patologia moral”, ele também sugeriu origem hereditária e possíveis lesões pré ou pós-natais como fatores etiológicos.
Características dos Casos de Still
Still documentou meticulosamente comportamentos que incluíam:
- Déficit severo no controle moral
- Comportamento agressivo e destrutivo
- Incapacidade de atenção sustentada
- Desobediência persistente
- Instabilidade emocional marcante
A abordagem de Still refletia preocupações com a ordem social através de “crianças perigosas” ou “defeituosas morais”, em sintonia com uma época que priorizava institucionalização, disciplina rígida e educação moral como formas de tratamento. Este modelo foi fundamental para os primeiros passos do reconhecimento médico da perturbação, embora encontrasse pouca aceitação imediata devido à sua imersão em categorias morais então prevalentes.
A Encefalite Letárgica e a Era Neurológica (1917-1928)
Com a epidemia global de encefalite letárgica (1917-1928) e a pandemia de gripe espanhola (1919-1920), emergiram novos olhares sobre o TDAH. Após sobreviverem à encefalite, muitas crianças passaram a manifestar sintomas de agitação motora intensa, instabilidade emocional, impulsividade e alterações graves de personalidade.
Assim como a encefalite letárgica, a doença de Parkinson também foi objeto de estudos neurológicos que influenciaram o entendimento das patologias cerebrais nesse período.
Constantin von Economo e outros autores da época descreveram esses sintomas como “insanidade moral”, mas esta epidemia constituiu um ponto de virada fundamental: introduziu o modelo explicativo baseado em causas orgânicas e neurológicas para distúrbios comportamentais.

Transformação do Paradigma Explicativo
Médicos como Tredgold, em 1916, passaram a adotar termos como “lesão cerebral mínima” e, posteriormente, “disfunção cerebral mínima” para descrever crianças com comportamentos hiperativos e inibitórios, mas com lesões cerebrais não evidentes por exames convencionais da época. Esses conceitos substituíram explicações morais por teorias organicistas, abrindo espaço para:
- Estudos neuropsicológicos fundamentados
- Tratamentos baseados em farmacologia
- Uso de estimulantes anos depois
- Legitimação científica do diagnóstico
- Busca por evidências visuais e tecnológicas nos exames médicos
A experiência dos sobreviventes da encefalite letárgica influenciou profundamente a busca por evidências objetivas, conduzindo à investigação de marcadores neurológicos mensuráveis.
Evolução dos Critérios Diagnósticos (1930-1980)
Entre as décadas de 1930 e 1950, o termo “síndrome hipercinética” tornou-se predominante, caracterizando-se por atividade motora excessiva, impulsividade e incapacidade de controlar o comportamento, sem ênfase essencial ao déficit de atenção. A evolução dos critérios diagnósticos faz parte de um processo histórico contínuo na compreensão do TDAH, refletindo diferentes fases e elementos que contribuíram para o entendimento atual do transtorno.
Reformulações Conceituais
O início dos anos 1960 trouxe críticas à noção de lesão cerebral mínima, levando à reformulação como “disfunção cerebral mínima”. Este conceito incluía uma gama mais ampla de distúrbios que iam além da hiperatividade motora, englobando dificuldades comportamentais e cognitivas diversas.
Marcos Diagnósticos Importantes:
Ano | Desenvolvimento | Características |
|---|---|---|
1968 | DSM-II | “Reação hipercinética da infância” com orientação psicanalítica |
1970s | Trabalho de Virginia Douglas | Ênfase no déficit de atenção sustentada e controle inibitório |
1980 | DSM-III | Formalização do “Transtorno de Déficit de Atenção” |
Em 1968, o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-II) introduziu o diagnóstico de “reação hipercinética da infância”, destacando excesso de atividade, inquietação, distração e falta de atenção com base psicanalítica.
A década de 1970 marcou uma virada fundamental com o trabalho de Virginia Douglas, que passou a enfatizar o déficit de atenção sustentada e controle inibitório como elementos centrais do transtorno. Isso deslocou o foco da hiperatividade isolada para as funções cognitivas e atencionais, estabelecendo bases para compreensões posteriores sobre funcionamento executivo e memória de trabalho.
Divergências Transatlânticas
O debate daquele período refletiu divergências entre abordagens americanas, que começaram a priorizar explicações neurodesenvolvimentais, e abordagens europeias, que ainda mantinham ênfase no contexto familiar, educacional e social como determinantes dos sintomas.
Consolidação do TDAH Moderno (1980-2013)
No final do século XX, os critérios diagnósticos se estabilizaram e ganharam reconhecimento internacional. O DSM-III (1980) formalizou o termo “Transtorno de Déficit de Atenção” (TDA), incluindo opções com e sem hiperatividade, estabelecendo pela primeira vez o déficit de atenção como núcleo do quadro clínico.
O DSM V trouxe atualizações importantes para a classificação do TDAH, consolidando sua compreensão moderna e refletindo avanços nas diretrizes clínicas e neurológicas.
Evolução Terminológica e Conceitual
Em 1987, o DSM-III-R introduziu o termo definitivo TDAH, diferenciando-o do TDA sem hiperatividade e ampliando significativamente o conceito. Esta mudança refletiu melhor compreensão da heterogeneidade sintomatológica e da necessidade de categorias mais específicas.
O DSM-IV, publicado em 1994, estabeleceu os três subtipos clássicos que definiram a prática clínica por décadas:
- Predominantemente desatento: Foco em problemas de atenção e concentração
- Predominantemente hiperativo-impulsivo: Ênfase em hiperatividade motora e impulsividade
- Combinado: Presença significativa de ambos os domínios sintomatológicos
Expansão Demográfica e Terapêutica
Esta classificação permitiu a expansão diagnóstica para adolescentes e adultos, reconhecendo que o transtorno não se limitava à infância. Desenvolveram-se critérios específicos por faixa etária, considerando manifestações evolutivas dos sintomas.
A década de 1990 testemunhou também a consolidação do tratamento medicamentoso com cloridrato de metilfenidato (Ritalina), largamente utilizado mundialmente como padrão terapêutico. Simultaneamente, cresceu o interesse científico nas bases neurobiológicas do transtorno, impulsionando pesquisas em neuroimagem e genética.

Era Contemporânea e Neurociência (2013-presente)
O DSM-5, publicado em 2013, constituiu um novo marco classificatório fundamental. O TDAH passou a ser considerado oficialmente um transtorno do neurodesenvolvimento, ao lado de condições como o autismo. Esta reclassificação refletiu o entendimento de que se trata de uma condição neurobiológica com bases no desenvolvimento cerebral. Diversos artigos e tdah notes recentes têm aprofundado a discussão sobre o TDAH como transtorno do neurodesenvolvimento.
Mudanças Conceituais Significativas
Foram eliminados os subtipos clássicos, substituídos por dimensões de sintomas – desatenção e hiperatividade-impulsividade. Esta mudança refletiu o entendimento atual do transtorno como espectro multifatorial, sujeito a variações no tempo e de acordo com o desenvolvimento individual.
O critério de idade de início foi expandido de 7 para 12 anos, e o número mínimo de sintomas necessários para diagnóstico em adultos foi reduzido, permitindo maior sensibilidade nos critérios populacionais. Estas alterações reconheceram que muitos adultos com TDAH não haviam sido identificados na infância devido a critérios mais restritivos.
Modelos Teóricos Contemporâneos
A abordagem neurocientífica contemporânea favorece pesquisas sobre regulação emocional e funcionamento executivo. Russell Barkley propôs modelos que associam o TDAH a déficits marcantes em autorregulação, planejamento e memória de trabalho, bem como transtornos relacionados ao controle inibitório.
Essas teorias enfatizam que o TDAH representa fundamentalmente um déficit nas funções executivas – processos cognitivos superiores que controlam e regulam outros comportamentos e processos mentais.
Avanços em Neuroimagem e Genética
O advento de técnicas modernas de ressonância magnética funcional e estrutural permite demonstrar alterações anatômicas e funcionais específicas nos cérebros de pessoas com TDAH. Estudos revelam volume reduzido em certas regiões cerebrais, bem como padrões diferentes de ativação durante tarefas cognitivas.
Descobertas Neurobiológicas Principais
A neuroimagem avançada revela padrões característicos de:
- Hipoatividade no córtex pré-frontal: Área central para controle executivo
- Alterações na conectividade neural: Especialmente em redes atencionais
- Desvios em circuitos dopaminérgicos: Relacionados à atenção e controle motor
- Diferenças no desenvolvimento cerebelar: Importante para coordenação e funções executivas
Progressos Genéticos
Os avanços em genética identificaram alta hereditariedade do TDAH (estimada entre 70-80%), com múltiplos genes principalmente associados ao sistema dopaminérgico, como DRD4 e DAT1. Também foram identificados fatores de risco ambientais, incluindo prematuridade, baixo peso ao nascer e exposição pré-natal a substâncias tóxicas.
A pesquisa busca biomarcadores objetivos do transtorno, como testes neuropsicológicos computadorizados e rastreamento de padrões genéticos. Embora até agora nenhum marcador isolado tenha sensibilidade e especificidade suficientes para uso clínico, há crescente integração interdisciplinar entre neurologia, psiquiatria, psicologia e biologia molecular.

Controvérsias e Críticas Contemporâneas
A história do TDAH é marcada por intensos debates e controvérsias, particularmente sobre a possível medicalização excessiva da infância e redefinição de comportamentos tipicamente humanos como patologias. Críticos apontam riscos de patologização do ambiente escolar, influências da indústria farmacêutica e variações internacionais nas taxas de diagnóstico.
Questões de Sobrediagnóstico
Países como Estados Unidos e Brasil apresentam índices de diagnóstico muito superiores aos da França e Finlândia, levantando questões sobre critérios culturalmente específicos. Estas disparidades geram preocupações sobre sobrediagnóstico e uso inadequado de medicação psicotrópica em crianças.
Há questionamentos sobre:
- Impacto das expectativas culturais nos critérios diagnósticos
- Modelos biomédicos restritivos versus perspectivas mais amplas
- Consideração de fatores sociais, econômicos e familiares
- Influência de pressões educacionais contemporâneas
Perspectivas Críticas
Algumas sociedades científicas defendem maior rigor na avaliação e diagnóstico, priorizando intervenções multidisciplinares e adaptativas às necessidades individuais. O debate inclui preocupações sobre maus tratos às crianças através de medicação excessiva versus reconhecimento de uma condição neurobiológica legítima que requer intervenção adequada.
Impacto Social e Educacional do Diagnóstico
O diagnóstico de TDAH provocou profundas mudanças nas práticas pedagógicas, com adaptações escolares e políticas de inclusão que reconhecem o direito à educação individualizada. Isso resultou na formulação de leis e normas específicas para pessoas com deficiência, especialmente no ensino fundamental.
Transformações Educacionais
As mudanças incluem:
- Adaptações curriculares: Modificações em metodologias de ensino
- Formação de professores: Capacitação para lidar com necessidades especiais
- Políticas de inclusão: Legislação garantindo direitos educacionais
- Tecnologias assistivas: Ferramentas para apoiar o aprendizado
Impacto nas Famílias
Houve impacto substancial sobre as famílias, incluindo impacto psicológico, reestruturação da dinâmica parental e busca por suporte psicopedagógico. Proliferaram associações de pais, movimentos de advocacy e organizações em prol dos direitos de crianças com TDAH.
Ampliou-se também a implementação de intervenções não medicamentosas baseadas em terapia cognitivo-comportamental, treinamento de habilidades sociais, mindfulness e técnicas de organização ambiental, complementando ou, em alguns casos, substituindo o tratamento farmacológico.
Perspectivas Futuras e Tendências Atuais
As pesquisas mais atuais visam o desenvolvimento de biomarcadores objetivos, promissoras intervenções digitais e abordagens personalizadas a partir de perfis neuropsicológicos detalhados. As inovações incluem terapias baseadas em aplicativos, games terapêuticos e estimulação cognitiva computadorizada.
Para dúvidas ou colaborações acadêmicas, entre em contato pelo e-mail: contato@exemplo.com.
Direções de Pesquisa
A integração de fatores ambientais (sobrecarga de estímulos, urbanização, poluição, condições socioeconômicas), genéticos e contextuais é considerada central para compreender o desenvolvimento do TDAH e orientar estratégias de prevenção e intervenção precoce.
Há especial interesse em:
- Medicina personalizada: Tratamentos baseados em perfis individuais
- Intervenções digitais: Uso de tecnologia para terapia e monitoramento
- Prevenção primária: Identificação e modificação de fatores de risco
- Modelos dimensionais: Abandono de categorias rígidas em favor de espectros funcionais
Redefinição Diagnóstica Contínua
Existe interesse em redefinir continuamente os critérios diagnósticos à luz de descobertas neurocientíficas, abolindo categorias rígidas em prol de modelos dimensionais e funcionais, mais compatíveis com a variabilidade observada na prática clínica contemporânea.
A influência de pesquisadores como William James na compreensão da atenção como processo dinânico continua relevante para conceptualizações modernas. Estudos em cidades como São Paulo, Porto Alegre e em outros centros no Brasil e Estados Unidos contribuem para compreensão global da condição.
Conclusão
A história do TDAH, desde as primeiras observações de Melchior Adam Weikard em 1775 até as sofisticadas descobertas neurocientíficas contemporâneas, ilustra uma fascinante evolução do pensamento médico e social. Esta trajetória revela como contextos históricos, avanços tecnológicos e mudanças paradigmáticas moldaram nossa compreensão de uma das condições neuropsiquiátricas mais estudadas.
A transformação de um “defeito no controle moral” vitoriano para um transtorno do neurodesenvolvimento baseado em evidências neurobiológicas sólidas demonstra o progresso científico e a necessidade de abordagens multidisciplinares. A literatura médica contemporânea, enriquecida por estudos em neuroimagem, genética e funcionamento executivo, oferece perspectivas mais nuançadas sobre a condição.
As controvérsias atuais sobre medicalização, sobrediagnóstico e variações culturais nas taxas de prevalência refletem questões fundamentais sobre os limites entre normalidade e patologia. Estas discussões são essenciais para garantir que o diagnóstico seja aplicado de forma ética e baseada em evidências sólidas.
A história do TDAH coloca paradigmas sobre os debates acerca dos limites entre normalidade e patologia, as fronteiras da medicina, da pedagogia e da sociedade, e os desafios éticos da individualização na era da neurociência. À medida que continuamos a expandir nosso conhecimento através de pesquisas em centros como Santa Catarina e outros estados brasileiros, é fundamental manter um equilíbrio entre o reconhecimento de uma condição neurobiológica legítima e a prevenção de medicalizações desnecessárias da infância.
O futuro da compreensão do TDAH reside na integração contínua de descobertas neurocientíficas, considerações sociais e abordagens terapêuticas personalizadas, sempre mantendo o foco no bem-estar e desenvolvimento pleno dos indivíduos afetados por esta complexa condição.